Como funciona a Técnica Alexander, 7 princípios: Reconhecimento de Hábito

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Como funciona a Técnica Alexander, 7 princípios: Reconhecimento de Hábito

Como funciona a Técnica Alexander, 7 princípios: Reconhecimento de Hábito

O Reconhecimento de hábito é o 4º princípio de funcionamento da Técnica Alexander

4. Reconhecimento de hábito

Muitas vezes eu tenho dificuldade quando tenho de passar pano no chão, porque é necessário usar bastante esforço muscular para limpar melhor. Vamos chamar este ato um estímulo de alto nível. Aspirar, por exemplo, é um estimulo de baixo nível, porque você não vai limpar o chão melhor empurrando o aspirador com mais força! Então, enquanto aspiro, apenas preciso explorar o meu movimento em relação a um objeto que nem é muito pesado. No caso de passar pano no chão, eu quero explorar o meu movimento em relação a um objeto, mas também o fator de fazer uma força muscular maior que precisa ser aplicada.

Vamos dizer que a minha dificuldade está maior nos hábitos inconscientes ou conscientes, associados a uma atividade que precisa bastante esforço muscular.

A palavra ‘hábito’ neste contexto tem os seguintes significados:

1) Padrões inconscientes de tensão muscular, que não é necessária (ex. apertar minha mandíbula sem razão).

2) Falsas ideias pré-concebidas (ex. achar que precisa usar esforço muscular na atividade de aspirar, quando na realidade não é necessário).

Voltando ao passar pano no chão, antes da minha primeira aula de Alexander eu nunca tinha pensado na existência de hábitos no meu uso corporal, apenas sabia que durante e depois da atividade, geralmente ficava com dor nos braços e nas costas, e com uma forte sensação de infelicidade só com o pensamento de ter que passar pano. Mas como explicado no post da unidade psico-física, eu provavelmente não estava pronta para assumir responsabilidade sob minha infelicidade e desconforto, então culpei a atividade em si! ‘Passar pano é chato’, ‘Passar pano é cansativo’…

Então, como reconheceremos nossos hábitos? Primeiro, se você não está feliz com o seu uso corporal, isso provavelmente significa que você está adicionando esforço extra. Se o seu desconforto é crônico, provavelmente significa que você têm hábitos e ainda não reconheceu.

Vou dar alguns exemplos de hábitos e convido você leitor a explorar os seus escolhendo uma atividade – músicos, se vão escolher tocar, escolham uma frase só!

Eu escolho passar pano no chão:

Hábito n. 1: Falsa idéia pré-concebida, que vem ANTES da atividade: ‘Passar pano não pode ser divertido’.

Aqui o meu jeito atual de lidar com o hábito, pode explorar o seu: Eu paro, tomo um momento para sentir as emoções associadas com a minha idéia pré-concebida e começo a questioná-la para fazer uma nova decisão. ‘Eu amo ser capaz de cuidar da minha casa, da minha vida. Eu gosto de um chão limpo, e na verdade quero entender mais sobre por que eu tenho dor depois, quero explorar essa dificuldade mais profundamente.’

Daqui eu continuo com o coração menos apertado e o corpo mais disponível.

Eu abaixo até o chão para preparar o pano no balde e porque já decidi como eu faço a atividade – em outras palavras, o meu uso – é realmente mais importante do que a atividade em si, estou mais aberta à receber as informações que o meu corpo me dá. Então, eu abaixo até o chão e percebo que já não estou feliz com o jeito que eu abaixo. Eu paro, sinto as tensões no meu corpo e percebo que nesse caminho pro chão:

Hábito n. 2: Eu tensiono os meus ombros sem motivo.

Hábito n. 3: Perco a relação com o ambiente ao meu redor.

Hábito n. 4: Paro de respirar durante todo o movimento.

Todos este padrões eram completamente inconscientes no passado. Hoje em dia, o processo é mais simples porque só tem dois passos:

1) IDENTIFICAR o hábito

2) BRINCAR com a sua reação

No momento que identifico a tensão nos ombros, eu solto eles. Quando eu perco a relação com o ambiente eu abro os olhos e vejo o mundo externo! Quando eu entendo que ‘esqueço’ de respirar, eu respiro! Pode ser tão simples MAS é necessário que seja em doses homeopáticas! Quando você for explorar esses pensamentos, sugiro que comece com estímulos de baixo nível e não se apresse em ir para estímulos avançados. O processo é um ‘mini-treinamento’ para acordar o sistema.

Outra dica importante:

Quando você escolher momentos de exploração durante o dia, faça-o com gentileza absoluta para consigo mesmo. Trazer hábitos inconscientes para a consciência é um processo poderoso, ligado a presença e auto-conhecimento. A maneira como você se move é apenas a maneira como você se move, não há nada de errado com ela, e se ela te manteve vivo até agora, na verdade, há algo muito certo nela! Então lembre-se de que não há espaço para frustração e ódio para si mesmo aqui, se você se perceber nesse lugar, pare, sinta as emoções associadas com esse comportamento(talvez hábito?) e vá fazer algo que você goste de fazer!


Veja os outros posts desta série:

1. Controle primordial

2. Unidade psico-física

3. O uso afeta o funcionamento

5. Apreciação sensorial não confiável

6. Inibição

7. Direção

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