3 Simples Passos da Prática Livre

“Nenhum problema pode ser resolvido com o mesmo grau de consciência que o gerou” – Albert Einstein

Sempre fui uma criança impaciente. Começando a tocar, levei essa minha impaciência na minha prática diária e muito rápido probleminhas começaram a surgir. Quando queremos algo, é possível que na hora de tentar alcançar nosso desejo, nós esquecemos o que mais importa – a nossa própria felicidade e bem-estar. Sem isso, nossa música não crescerá, e mesmo se conseguir tocar tal coisa com esforço e tensão, aquilo não vai nos servir ao longo prazo. Em algum momento – pode ser na hora da apresentação, pode ser daqui dois anos – a tensão ‘aprendida’ durante a prática vai virar um obstáculo.

É possível, que nosso corpo tensione quando encontramos com um problema, seja técnico, interpretativo ou de outra natureza.

O primeiro passo ao enfrentar qualquer problema durante sua prática é parar. Quando estamos no carro dirigindo em uma direção que não vai nos levar onde queremos ir, às vezes precisamos parar o carro para 1) ver onde nós estamos, 2) definir onde queremos ir e 3) traçar um plano sobre como chegaremos lá.

Parar 

Na tradição Zen, há uma história sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rápido, e parece que o homem está indo para um lugar importante. Um outro homem que vê a cena, pergunta: “Aonde você está indo?” e o homem a cavalo responde: “Não sei. Pergunte ao cavalo!” Esta é a nossa história. Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar. O cavalo é a força de nossos hábitos que nos puxa, e somos impotentes diante dela. Estamos sempre correndo, e isso já se tornou um hábito. Estamos acostumados a lutar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Estamos em guerra com nós mesmos, e é fácil declarar guerra aos outros também.*

No seu estudo, esteja preparado a parar a qualquer momento. Isso te dará a confiança e segurança de uma pessoa que está andando a cavalo, contrário do pânico e tensão excessiva da pessoa que está sendo levada pelo cavalo!

Parar é uma habilidade a ser desenvolvida. Não se preocupa se está vendo que não é tão simples quanto achou. Isso é um sinal que sua consciência está se ampliando.

Pega uma peça que você gosta e toque a primeira nota como se fosse na hora da apresentação. Logo depois da primeira nota insere uma pausa. Vê o que você nota sobre o seu corpo, repara alguma diferença? Continue a peça, e pratique inserir pausas de tempo indeterminado e reparar como os seu corpo está mudando. É possível que você note tensão se acumulando, especialmente nas partes mais emocionantes. Também é possível que note que assim que você reparar a tensão, ela se dissolve instantaneamente.

Onde estou?

Você já praticou este passo indiretamente, toda vez que para você pausa e nota o que você repara sobre seu corpo. Nosso corpo é a manifestação mais sólida da nossa totalidade. Aprendendo a ouvir o que ele nos diz, temos a oportunidade de nos concentrar no momento presente. O seu corpo, quando ouvido, fica mais livre, seu movimento mais coordenado e seu foco mental mais afiado.

Criatividade e musicalidade são componentes inatos da nossa natureza. Quando estou no momento presente, todos as minhas células cooperam com fluência e minha interpretação acontece sem esforço, incluindo tudo que está acontecendo em mim e no meu redor com facilidade e sem distração. A chave é o corpo.

Clareza de propósito

Porque eu toco? A maioria de nós toca por que isso nos faz feliz ou mais completos. Às vezes a resposta é simplesmente “Porque eu gosto!”. Qualquer que seja a sua resposta hoje, pode começar com ela, ao invés de tentar chegar nela depois de uma sessão de prática ou depois que conseguir tocar “x” música. Aproveite cada nota como se fosse a última. Essa ideia, de não deixar uma nota passar sem ser degustada, pode ser o seu centro.

Quando seu centro é claro, você valoriza você mesma e a sua habilidade aqui agora, e não espera o futuro para ser contente.

Se você ficar esperando o futuro para ser feliz com a sua prática, você jamais será feliz. Mesmo se você chegar naquele nível não saberá como reconhecer e celebrar. Então, aproveite a sua prática e o seu fazer musical AGORA, uma nota, uma frase e deixa a sua habilidade crescer no terreno de terra fértil e não em um terreno tóxico.

Toda vez que você perder o seu centro – em vez de lamentar – volte a curtir o momento presente!

*Do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda” – Thich Nhat Hanh

By | 2018-02-01T19:59:38+00:00 1 de Fevereiro de 2018|

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