Quando eu descrevo com que eu trabalho as pessoas sempre ficam bastante surpresas. Para não entrar em campos muito filosóficos, eu geralmente falo que eu trabalho com consciência corporal. Mas é lógico que a pessoa vai querer saber mais, então a pergunta inevitável segue:

– É como pilates?

Eu nunca consigo resistir :

– Não é como pilates, é uma ferramenta para praticar presença.

E é neste ponto que a surpresa aparece nos olhos da pessoa…

Qual a relação entre consciência corporal e presença?

O que eu aprendi durante o tempo que eu estava buscando me livrar da minha tendinite crônica é que a dor ou desconforto corporal não vai desaparecer sem a consciência do que está causando o problema. Caso isso aconteça e o problema desapareça sozinho, isso é ótimo. Mas o medo que o problema talvez volte sempre fica lá. Se a minha consciência corporal me permite entender o que causa a dor ou diminui a eficiência no meu movimento, eu posso entrar num dialogo saudável com o problema. Trabalhar com o problema nessa base vai sempre resultar em melhora, em novas possiblidades. Trabalhando com o problema numa base de medo vai sempre causar uma relação pesada com o corpo.

Agora, consciência corporal não é algo que eu posso impor em mim. Ou ela está lá ou não. O que eu posso fazer é convidar no meu sistema um estado de presença. E por isso eu preciso uma ferramenta, uma prática, uma ‘estratégia’ . É aqui que a Técnica Alexander entra na imagem. Não existem exercícios específicos neste método, nós trabalhamos com movimentos simples, atividades cotidianos ou A atividade (o interesse principal, no meu caso por exemplo foi tocar percussão). O objetivo das aulas é achar jeitos para acessar um estado de presença ENQUANTO em atividade.

Como fazemos isso?

Gradualmente ficando mais CONSCIENTE do que é resposta automática e o que é escolha no meu movimento. Um bom exemplo é quando eu estou no computador e chega um momento que eu me acho numa posição curvada em frente da tela. O que aconteceu neste meio tempo até eu cheguei nessa posição, pra onde foi a minha atenção? É isso que investigamos!


A Técnica Alexander não te ensina a fazer algo novo. Ela te ensina como trazer mais inteligência prática no que já se está fazendo: como eliminar respostas estereotipadas; como lidar com hábito e mudança.

– Frank Pierce Jones, pesquisador da Tufts University 

By | 2017-10-17T13:25:31+00:00 4 de maio de 2014|

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